Leonor Vaz Pinto passou vinte anos a tomar conta de hotéis à noite. Foi diretora de noite em
Lisboa desde os vinte e três e conhecia o turno das três da manhã muito melhor do que o das três
da tarde. Em 2008 comprou o número 227 da Marginal: um edifício de 1953 que tinha sido pensão,
depois residencial e depois nada durante onze anos.
A escolha foi pelo lote, não pelo prédio. Do 227 chega-se à água sem atravessar mais nada, e o
alvará de altura de sete pisos é coisa que nesta avenida não se volta a passar. O interior foi
todo abaixo: ficou a fachada, a caixa de escadas e o pé-direito do rés-do-chão, que era de
armazém e deu à sala a altura de que precisava. Da escritura à abertura passaram-se dois anos e
sete meses.
Abriu a 3 de junho de 2011 com oitenta e quatro quartos, trezentas e oitenta máquinas e doze
mesas. Hoje são cento e quarenta e oito quartos e suites, mil duzentas e quarenta máquinas,
trinta e oito mesas — nove delas no poker room —, três restaurantes e dois salões privados de
alto limite. A fachada continua a ser a de 1953, classificada, e a única coisa que lhe
acrescentámos foram as letras do nome: catorze meses à espera do parecer, para quatro palavras.